IMPRESSÃO 3D CONQUISTA EMPRESAS E SEU USO CRESCE MAIS DE 30%


Por peças que saíram de circulação, testar novas ideias, elaborar protótipos, criar mobiliário e projetos para festa e até produtos finais... A lista de aplicações da impressão 3D na indústria cresce em ritmo acelerado. Incorporada nos mais diferentes tipos de negócios, grandes empresas como Alpargatas e multinacionais, como Fiat, MAN e ThyssenKrupp, são algumas das que já contabilizam os ganhos da aplicação, com redução de prazos e ganhos de eficiência.

Levantamento da consultoria americana Wohler Associates indica que os negócios com impressoras 3D movimentaram US$ 5,1 bilhões no mundo em 2016, uma evolução de 30% na comparação com 2015. Até 2020, a estimativa é que a cifra chegue a R$ 21 bilhões. Outra consultoria, a Gartner, estima que, em 2016, existiam no mundo 455,7 mil unidades de impressão 3D, número que deve saltar a 6,7 milhões em 2020.

O mercado brasileiro representa apenas 2% do total de negócios mundial, mas ganha força. A ThyssenKrupp, que fabrica elevadores, usa a impressão 3D não só para elaborar protótipos de componentes de equipamentos como para fabricar peças aplicadas no produto final. A ideia ganhou força depois que a equipe de Eurico Moser, diretor da área de Negócios Elevator Technology, atestou que o produto era de qualidade e poderia ser usado na substituição de itens do maquinário de elevadores em manutenção.

— Temos vários fornecedores que pararam de fabricar determinadas peças. São essas peças que passamos a elaborar no computador e imprimir em 3D — disse Moser, citando roldanas para as portas e o espelho das botoeiras dos elevadores.

Moser cita como ganhos do uso da tecnologia a velocidade da entrega de itens para reposição, já que não dependem de fornecedor, e custo baixo, porque na maior parte das vezes são necessárias poucas unidades, dispensando a compra de grandes lotes.

O princípio de funcionamento de uma impressora 3D é o mesmo da convencional. No lugar de tinta são usados os mais variados elementos, desde filamentos de plástico, metal, pó, gel ou qualquer outro produto, podendo ser até alimento. No lugar de letras, a máquina imprime camada a camada de peças tridimensionais desenvolvidas em computador.

A Alpargatas é uma das marcas que usa a tecnologia há mais tempo. Desde 2007, a linha Mizuno utiliza a impressão 3D para fazer os projetos de solado, parte complexa dos tênis e de maior valor agregado. Segundo a empresa, dessa forma, é possível reduzir o tempo de projeto e produção e ampliar a qualidade pela precisão do protótipo.

A Fiat usa há mais de dois anos a impressão para fazer protótipos em nylon altamente resistente. “Temos duas impressoras 3D, capazes de imprimir em 12 horas um modelo que, antes, poderia demorar alguns dias para ficar pronto”, informou.

Os usos mais avançados e complexos de itens impressos em 3D são os da área médica. Segundo a Wohler Associates, a área de saúde equivale a 15% do mercado de 3D. Desde o início dos anos 2000, o setor desenvolve biomodelos, usados no planejamento cirúrgico com exatidão, até a impressão customizada de próteses para implantes, sobretudo os ortopédicos. O mais recente caso foi o implante de uma caixa torácica, produzida em titânio por uma impressora 3D da empresa australiana Anatomics.

No varejo, equipamento é usado para miniaturas

O uso da impressão 3D não está apenas na grande indústria. A empresa MiniYou, fundada em São Paulo há dois anos, imprime miniaturas de pessoas depois de fazer uma espécie de fotografia 360°. A versão de menor tamanho (dez centímetros) custa R$ 299. A maior, de 20 centímetros, é comercializada pela marca por R$ 1.200.

A ideia de montar a empresa foi do administrador Alberto Topgian e surgiu durante uma viagem aos Estados Unidos, quando conheceu a impressão tridimensional. O investimento para a compra da impressora e do scanner que faz a fotografia foi de R$ 500 mil. Apesar da procura, o desembolso ainda não foi pago, contou Topgian.

— Importei a impressora dos Estados Unidos e o scan da Rússia — disse o empresário, acrescentando que neste ano começará a comercializar franquias da marca. — A ideia é que as franquias façam essa ‘fotografia 360°’, a gente imprima aqui em São Paulo e depois envie para a casa do cliente — afirmou.

Há usos muito mais inusitados da impressão 3D e que também estão cada vez mais próximos à vida comum. É o caso da Foodini, máquina que usa como cartucho comida fresca, à escolha do freguês, e imprime nos mais variados formatos.

Criada em Barcelona pela empresa Natural Machines, a impressora já funciona em alguns restaurantes da Europa e deve chegar ao varejo ainda este ano, segundo estima a dona da ideia e da empresa desenvolvedora do produto, Lynette Kucsma.

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